“Nossa campanhas pelas eleições são cada vez mais curtas, menos visíveis e mais silenciadas. É decorrência do desprezo que temos pela liberdade de expressão”, afirmou a advogada Aline Osório que, ao lado do procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves, abordou o tema “As críticas e os ataques na propaganda eleitoral: até onde avançar a interferência e controle da Justiça Eleitoral?” no terceiro debate do VI Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral, aberto nesta quarta-feira (13/6), na Universidade Positivo, em Curitiba. O debate teve mediação da advogada Patrícia Marta.

Gonçalves foi aplaudido ao abrir o painel expressando sua alegria por integrar um painel majoritariamente feminino. O procurador abordou casos pertinentes à discussão do painel, todos envolvendo ataques à honra dos candidatos. “A liberdade de expressão é relevantíssima, mas a honra é um bem jurídico a ser protegido. Quando dizermos que a Justiça Eleitoral indefere muito, devemos nos perguntar se isso está ou não na lei”, argumentou.

Para ele, a quantidade e a qualidade das restrições não é boa. “Há aspectos mirabolantes. A lei andou mal ao reduzir o tempo de propaganda eleitoral e foi até covarde ao proibir a publicidade na pré-campanha”, completou. O procurador, porém, pontuou: “Discordo da lei eleitoral, mas enquanto estiver em vigor, envidarei todos os esforços para aplicá-la”, garantiu.

Aline argumentou que é no campo do Direito Eleitoral que a liberdade de expressão é mais violada. “Temos pouco apreço pela liberdade de expressão e ainda concepções equivocadas que permeiam o tema, marcadas por autoritarismo, paternalismo, assepsia e elitismo”, defendeu.

“Queremos ter na política uma pureza que não existe em outras áreas e ainda subestimamos a capacidade do eleitor. É preocupante observar o moralismo que impõe uma visão maniqueísta da política. Outro aspecto negativo é a criminalização. Tenho medo disso. Afinal, não há solução democrática fora da política. Por isso, considero que a Justiça Eleitoral deva coibir abusos, mas também garantir que a política não seja demonizada.

IPRADE
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.