Uma legião de brasileiros que vivem à margem do sistema político brasileiro foi o tema central do painel que reuniu o ex-ministro Joelson Dias, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e as professoras Fernanda Natasha Cruz, da Universidade de Brasília (UnB), e Georgina Lima Nunes, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A curadoria foi de João Andrade Neto.

Partindo da premissa de que um processo eleitoral realmente democrático precisa levar em conta as minorias, os conferencistas delinearam o longo caminho que o país ainda precisa percorrer para incluir milhares de brasileiros que não têm acesso ao voto e tampouco estão representados nas bancadas políticas do país como indígenas, quilombolas, minorias de gênero, raça e moradores de rua.

Segundo Fernanda, a mudança dessa realidade passa pelo reconhecimento da existência desses grupos marginalizados e inviabilizados em seus direitos políticos.

“Que a gente tenha a capacidade de reconhecer esses grupos minorizados, violentados e minimizados por tanto tempo. O reconhecimento desse problema histórico é capaz de mover a energia de indignação para a ação”.

Segundo ela, só a partir disso é possível desenhar estratégias para, ouvir essas pessoas e suas necessidades e, então, dar voz a elas por meio de políticas públicas e ações afirmativas capazes de tirá-las da margem do sistema eleitoral brasileiro.

A professora Georgina Helena Lima Nunes, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), abordou em sua fala a questão das comunidades tradicionais, citando o exemplo dos remanescentes de quilombolas.

“As comunidades tradicionais vivem numa condição de invisibilidade de direitos políticos. As dimensões de cidadania para estes grupos se referem a uma cidadania diferenciada, de quem nasceu para ser dominado, mas não se deixa dominar”, afirmou.

Segundo ela, o diálogo permanente com comunidades quilombolas e caiçaras embasam o seu discurso e evidenciam como a questão racial está no cerne da marginalização de uma legião de brasileiros do processo político.

“Quando se considera o componente racial na análise desses grupos excluídos, existe um rebaixamento na questão da dignidade. É preciso reconhecer o problema racial da sociedade brasileira para podermos avançar”, disse Georgina.

O ex-ministro Joelson Dias acredita que além da questão racial, é preciso observar essas minorias da perspectiva da interseccionalidade.

“Não é possível fazer políticas para grupos minoritários sem olhar a interseccionalidade desses grupos. Todas as políticas públicas e questões afirmativas não serão efetivas se não conseguirmos entender, por exemplo, as necessidades da mulher negra, da mulher negra com deficiência, da mulher mulher negra lésbica com deficiência”, exemplificou.

IPRADE
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